Fala que Teu servo ouve
Naquela tarde de sexta-feira, com o céu já enegrecido que se apresentou como moldura de um quadro formidável, ainda que trágico, uma vida inocente e piedosa se esvai em meio ao seu próprio sangue, voluntariamente derramado, sofrendo as dores latejantes por todo corpo e sob olhares inconformados de uns e satisfeitos de outros. No auge da dor e da fraqueza física, ainda lúcido, provavelmente por ter rejeitado o vinho misturado ao fel que lhe fora oferecido como costumeiro analgésico, Jesus reuniu forças e bradou: “Está consumado!” – em seguida, entregando seu espírito a Deus.
Muito mais que um mero preenchimento de uma narrativa de João sobre o fato, esta última frase de Jesus desponta como uma das mais eloqüentes declarações que alicerçam a base de nossa segurança de salvação. Após a perseguição implacável de seus adversários carnais e espirituais, ter satisfeito todas as exigências da justiça e confirmado todas as profecias, num ato extremo de superação física, Ele promulga ali a nossa reconciliação com Deus por meio, exclusivamente, de Seu sacrifício.
Pensemos por um simples momento na possibilidade de que Jesus não tivesse feito esta declaração. Restaria-nos pensar em fazer algo por nós mesmo no tocante a obra redentora! Algum tipo de sacrifício, de penitência vicária! Mas não! Ele cumpriu todas as exigências posto que Santo e sem mácula e pôde assim satisfazer a Justiça de Deus plena e perfeitamente. Não há espaço meritório para nenhum ser humano requerer a sua salvação (ou de outrem) diante de Deus Pai. Jesus não disse: “Olha pessoal! Eu fiz o que estava ao meu alcance! Agora é com vocês! Sejam bons, pratiquem boas obras e vejam o que conseguem...! Até lá..., se Deus quiser!”; Não... Ele disse “Está consumado.” A vida eterna é fruto de nossa fé (Ef. 2:8 e 9). As obras são conseqüência direta do reconhecimento deste sacrifício por cada um de nós (Gl. 2:19 e 20). Sacrifício perfeito e que torna a salvação exclusivamente pela Graça. A Sua Graça.
Você ouviu?
Acácio


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