Fala que o teu servo ouve
A espada que funciona.
Era tarde... Por toda a madrugada Jesus estava em oração...Angustiado... Precisava estar com o Pai. Momentos antes de cumprir cabalmente a missão que lhe fora outorgada por Deus, se pôs a orar com tamanha intensidade que transpirava gotas de sangue (o médico Lucas foi o único que fez este registro – Lc. 22:44). A sua prisão e, conseqüentemente sua morte, estavam próximas, muito próximas. Neste interlúdio ocorre uma seqüência de fatos interessantes. Jesus adverte aos seus discípulos que será ferido e suas ovelhas se dispersarão (Mt. 26:31). Pedro então se ergue contra o aviso de Jesus. “Eu não!” – disse Ele. Inabalável, Jesus sentencia: “Nesta mesma noite...tu me negarás três vezes...”. Com a mesma rapidez desdiz a Cristo: “Nem que venha a morrer te negarei.”. Interessante notar que passou despercebido a Pedro que quem disse estas palavras fora Jesus, ao qual, sem dúvida, nunca vira errar uma profecia, mentir ou enganar-se em algum juízo. Naquele momento não se perpetuou em seus ouvidos a condição temporal tão próxima: “Ainda esta noite...”. Naquela mesma noite os discípulos já negariam-lhe a necessária companhia intercessória deixando Jesus à mercê de si e das circunstâncias (Mt. 26:36-46). Judas então chega trazendo os guardas e identifica Jesus. Pedro então vislumbra o perigo e com extrema agilidade, ainda mais se levando em conta que era um pescador e não um soldado, corta a orelha de um dos servos do sumo sacerdote. Jesus repreende a Pedro e ordena: “Mete a tua espada na bainha pois os que lançarem mão deste subterfúgio pelo mesmo subterfúgio morrerão. Acaso pensas que eu não posso rogar a meu Pai, e Ele me mandaria neste momento mais de doze legiões de anjos?”. A seguir, Jesus devolve a saúde a Malco, o servo que fora decepado, se deixa aprisionar pelos soldados, acontece a fuga dos discípulos e Pedro o segue de longe... Confuso, perplexo, envergonhado... Dali a pouco negará três vezes a Jesus como fora dito por seu Mestre. De tantos ensinos a extrair deste texto, o que me salta aos olhos é a vontade legítima de Pedro em satisfazer ao seu Senhor mas, baseado em sua força, em seu zelo, em suas capacidades e não na condição de chamado de Deus. Ele não considerou a realidade das mensagens de Jesus para aquele momento. Não considerou que suas palavras de fidelidade foram, na verdade, um impulso e não fruto de uma fé alicerçada. Diante do perigo reagiu de forma impulsiva mais uma vez e quase prejudicou a fluência natural e profetizada dos planos de Deus, não discernindo sequer que Jesus não precisava deste tipo de apoio. Penso em como a minha vida seria diferente se, ao invés de eu declarar verbalmente o meu Amor por Jesus, eu estivesse mais atento às Suas advertências e me guardando para o momento que viesse a ocorrer. Se ao invés de cantar juras de Amor, eu guardasse a minha espada e usasse a Espada de Deus, Sua Palavra, para responder aos perigos, desafios e ameaças deste mundo tenebroso. Se eu deixasse de confiar na minha auto-suficiência e aprendesse a depender de Deus e começasse a olhar cada momento de minha vida sob a ótica de Deus. Pedro é como eu. Pedro é como você. E nós somos uma bênção quando abrimos mão de sermos eu e você para sermos como Jesus, o qual dependeu de Deus sempre e até o fim. Por isso foi vitorioso.
Você ouviu?
Por Acácio